Luiza Trajano5:50
Eu acho que a gente não entendeu ainda que essa pandemia mexeu com todo mundo. É uma coisa muito séria, gente. As pessoas que ficaram muito presas... Ontem o nosso Marcelo Silva, que é o nosso diretor, vice-presidente do conselho, ficou sete anos se eu da companhia. Todo mundo acha que eu passei sobre Frederico, eu acho que dá um pouco de Ibope. Eu só acho que eu sou ruim de tamanho, desse valor no mundo. Passou por um filho, né? Mas não foi, foi Marcelo Silva. E ele ficou dois anos preso, sabe? Ontem ele chegou de volta. E assim, é muito difícil a pessoa que ficou. Ela vive num mundo muito... ele trabalhou muito, presidente do dever, mas fez muita falta. Eu acho que nós não somos os mesmos, gente. É de renascer para o novo mundo. Isso é muito importante. O consumidor não é o mesmo. O consumidor brasileiro ele descobriu que ele... 400 anos de escravidão, ele nunca se sentiu que o país era dele. Ele tinha dois papéis: ou colonizador ou colonizado. Quando eu abria as minhas redes sociais, as pessoas falavam: 'Eu te admiro muito, mas você cresceu, se perdeu.' E tal. Hoje quando eu abro, elas só falam: 'Olha, eu te admiro, você se perdeu, mas eu não quero parar de comprar de você porque você tá ajudando o Brasil.' Eu nunca pensei que eu fosse escutar isso. A pandemia trouxe um papel de cidadania para as pessoas muito maior do que nós podemos pensar. E ainda vem que essa área financeira é muito esperta, né? Esse povo de banco é um espetáculo de esperto, né? E no mundo inteiro, eles quando pegam uma coisa assim, eles pegam muito mais rápido que a gente. Então assim, o ESG nada mais é porque o consumidor está exigindo isso. Se eu fosse qualquer loja, alguém tratar mal um negro ou uma mulher, pode ser uma pessoa que tem 15 seguidores que grava, daí um pouquinho todo mundo tá sabendo, porque as pessoas não estão se perdoando. Mas elas estão desse jeito. Então isso tudo a pandemia trouxe: as pessoas para dentro de casa, trazer as pessoas para essa correria que tinha 10 mil coisas ao mesmo tempo. As pessoas mudaram. Tenho medo da doença, detergente é muito sério. Nós devemos, nós estamos vivendo, não sabe se ela vai voltar agora, ela terminou, mas não sabe se vai voltar. Então isso gerou nas pessoas uma série de coisas. E eu queria mostrar uma foto para vocês. Eu fiquei 15 dias... eu tenho três netos que moram fora. Em julho, eu fiquei 14 dias em Portugal fazendo quarentena, trabalhando de lá. Depois eu fui para França, que mora lá, e lá acharam que eu já não precisava. E eu fui para a Galeria Lafayette, que é o centro de consumo do mundo, da Europa. Vocês concordam comigo ou não? Aquele mezanino lindo. Agora vocês não sabem o que eu encontrei lá e que eu tô usando as minhas panelas. Talvez eu consiga a foto aí. Vamos ver se eu consigo fazer. A gente consegue colocar foto? Luiza, me deram o recado aqui que consegue. É uma foto que tem... Eu trouxe um coração que a palavra... Alguém achava que a gente encontrar isso na Galeria Lafayette? Me responde, gente. Achava? É inteirinha em julho. Então nesse momento a gente tem que ter muito cuidado com a gente mesmo, saber que a gente não é o mesmo. Mas na empresa a gente tá usando muita palavra 'renascer'. Renascer para o novo ciclo e entender que o consumidor mudou. O consumidor não é o mesmo porque ele viveu coisas muito profundas. Então quando a gente vê isso no centro de consumo em julho, e a França tá sendo um dos que estão mais revendendo rápido, restaurantes novos. Você viu o que que eles fizeram? Eu tô acompanhando muitos dos países para esse renascimento. Então a gente tem que entender o que que mudou com isso. Mudou a forma da gente lidar com as pessoas, a forma da gente lidar com o consumidor, a forma da gente lidar. Nós temos que entender que empatia, trocar de lugar com o outro, é uma coisa que eu estou pregando muito. E o que a pandemia nos trouxe é: para já não dá mais para ter diagnóstico, opinião, planejamento, gerúndio: 'tô fazendo, tô pensando, tô indo'. Essa era digital é assim. Gente, eu tinha um filme maravilhoso que é 'Para Já', em compensação não deu para por aí, mas é de uma menina de 15 anos que sobra. Luiza, eu fui dar uma palestra numa escola antiga de Ribeirão Preto que queria se modernizar. Uma menininha de 13 anos: 'Luiza, eu tô pensando, eu tô analisando, que opinião que você me dá para eu fazer um projeto um dia da minha vida?' Tão aí, é uma judiação, não dá para passar aí. Eu peguei o Miguel, vamos ali, Vitória, sai segunda-feira, começa, pega três alunos aí, começa a fazer. E daí um mês ela me mandou: gente, é muito emocionante. Ela não só pegou cinco meninos, pegou a avó que era professora e começou a dar aula para os menininhos que é casado. E ela gostou tanto que aí ela falou: 'Ana Luiza, eu quero te agradecer que eu adorei a experiência. E agora eu quero fazer para os alunos da minha escola e quero oferecer para os filhos dos funcionários do Magazine Luiza de Ribeirão Preto. Não tem custo, é de graça, todo mundo tem. E eu vou fazer uma turma em um mês.' Então assim, é aprendendo a fazer. Gente, é 'para já'. Eu tô lançando. Esse é 'para já', porque todo mundo fez o estudo meu, falou assim: 'A Luiza é para já.' Criar até o logo isso antes da coisa. E tem mais uma coisa: ninguém fala para mim que sabe uma coisa que sai do serviço. Exigiu de serviço. O ministro Ayres, eu tava no evento do Parlatório e ele falou assim: 'Luiza, você tá usando um pouco a palavra constituição. Tudo que você vai fazer tá na Constituição.' E eu adoro que os outros falam que eu não quero ouvir. Falou: 'Me diz muito obrigado.' Só que a Constituição fala o que eu tô procurando: o como. Mas eu tenho que usar mais ela mesmo. Mas vamos fazer uma coisa: a mulher do Brasil está precisando aprender Constituição. Você não quer montar um curso para dar para nós? Não pode deixar que eu vou montar. Assim, a gente tem que pegar os talentos e começar a fazer acontecer. Esse momento exige que a gente tenha atitude. É atitude. Nós temos que ter atitude. Errou, não tem que ter compromisso com erro. Errou, redireciona o erro rápido. É a sinta-se startup. Vocês são tomados por isso, né? Acertou, multiplicou. E tu não fica com medo de multiplicar alguém tomar de você. É atitude. É fazer acontecer. É 'para já'. E entender que o consumidor mudou. E por isso que o financeiro, dois só para terminar: 2011, quando a gente entrou na bolsa, eu fui fazer roadshow e eu colocava: 'Só não melhor empresa, a gente tem propósito.' E não sei que saía de lá, eu falava assim: o André lembra bem, falava assim: 'Diante, não vai te dar uma ideia, mas um dólar a mais, nem nada, mas eu vou continuar fazendo o que eu nunca pensei.' É que depois de dez anos eu fosse convidada por fundos para falar de propósito, de igualdade, de tudo mais, porque eles sabem que resultado a curto prazo agora não resolve. Só financeiro é muito rápido. E quando entra no financeiro, todo mundo entra. É impressionante, ele sabe fazer, sabe fazer bem feito também, tem dinheiro para fazer porque ganha bem. Mas tudo bem, tá fazendo dinheiro não é tudo, mas sabe fazer melhor.